quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Sensibilidade gay


★ SENSIBILIDADE GAY ★



Algumas poesias que eu gostei e queria compartilhar com você. Aproveito para deixar o link ANTES DE SE ASSUMIR HOMOSSEXUAL do site do Grupo Gay da Bahia, dá uma olhada ok? Ah, eu queria muito te pedir para deixar um comentário sobre como você lida com a sua homossexualidade, pode ser? O lugar para comentar está depois da postagem, você pode entrar como anônimo ou não, você quem sabe. Obrigado!



Gay
Se eu não fosse gay as pessoas se importariam com isso?
De verdade será que elas permitiriam que eu respirasse o mesmo ar delas?
Poderia eu realmente ir à escola,
sem que as pessoas fossem tão cruéis?
Poderia eu viver em um mundo sem ódio?
Talvez as pessoas poderiam me amar se eu fosse hétero.
Não é nada fácil como as pessoas pensam.
Eu não posso simplesmente ir a um psicanalista e resolver isso.
Eu não escolhi ser desse jeito.
Você realmente pensa que eu queria ser gay?
Eu não quero chamar a atenção,
Eu não quero fama.
Isso não é algum tipo de jogo.
Eu sou o que sou e está tudo bem.
Muitas pessoas não veem a coisa desse jeito.
Eu gostaria muito que eu pudesse ser como elas são.
Casar e isso não ser um escândalo.
Eu queria ter filhos e nem por isso seria julgado.
Eu não quero ter minha reputação maculada.
Mas agora aparentemente eu sou mesmo diferente.
De alguma forma doente da cabeça.
Merecedor de terapia de choque para alguma coisa que não pode ser arrumada.
Como foi que eu me coloquei nessa merda toda?
Tóxica e trágica,
isso é o que é a minha vida.
É como se eu o tempo todo estivesse vivendo com uma punhalada nas costas.
Eu sou gay,
que é que tem de errado nisso?
Devo eu ser tratado como um rato de cobaia.
Pelo uso de livros sagrados e de ritos religiosos.
Para lutar contra algo que me faz diferente.
Eu quero apenas ser um ser humano e não um saco de pancadas.
Nem aquele cara chamado de viado.
Sinta na pele como dói se você fosse chamado assim.
Mas são palavras bem apropriadas sempre que for a minha vez de ouvir.
Eu gosto muito de ser assim como sou.
E não me importo com o que dizem.

Tradução livre e não-autorizada
Autor: RF - Fonte: HELLO POETRY



Antigay
Isso é tudo o que podemos fazer
Tudo que podemos fazer
é ridicularizar aquele
que quer seguir a inclinação do seu coração
aquele que desafia as regras
da sociedade
Tudo o que podemos fazer
é zombar dele
tudo que podemos fazer
é torturar ele bem torturadinho.
Ele nem mesmo pode contar
ao seus melhores amigos
sobre a sua sexualidade
por causa do medo
de ser insultado
de ser isolado
de sofrer ataques.
A cada jovem homossexual
provavelmente há quatro outros héteros
pra acusá-lo de ser gay
espalhando a dor
em palavras e atitudes
os homossexuais são alvos fáceis
ao alcance deles.
Fico por demais admirado
Chego a gastar um bom tempo especulando
o porque deles esbravejarem seu hinário antigay
com tamanho dano que isso causa a uma pessoa
só porque ela apenas quer seguir o caminho do seu coração.

Tradução livre e não-autorizada
Autor: PandoraAngels - Fonte: ALL POETRY



Pornô para Marcelo
O cilindro formado
pelo espaço vazio
na mão que se fecha
delineia a rola ausente
do amante antigo.
Então chupo com avidez
a glande escura gerada
no tesão da lembrança
do corpo forte de Marcelo.
Dela recebo o esperma
tépido no lábio circunflexo
e na língua rósea estendida
para engolir a negra hóstia
ou pétreo pênis que ejacula.
Marcelo contraiu Aids
nos cines pornôs Ritz e Astor
ao final de nosso caso breve
e hoje fode arcanjos gays
e querubins frescos iluminados
nos campos minados de desejo
de satânicos paraísos perdidos.
Bichas mil o cercam e lutam
entre si pela dádiva de seu pau
de ébano sempre ereto
a penetrar cus e bocas ávidas.
Gritos de dor e prazer ecoam
no saguão amplo do firmamento.
Arcanjos e querubins buscam
noite e dia penetrações divinais.
Como aves de rapina do deserto
disputam, ferozes, a presa farta
das virilhas de Marcelo, tesudo
em meio ao pandemônio celeste
de paixões demoníacas desenfreadas.
Enquanto isso, o Mestre e Senhor
– clone de Amy Winehouse –
esquálido e fissurado no portal,
masturba o corpulento chaveiro
de barba branca e rola flácida
nesse paradisíaco bacanal.
Na solidão e silêncio do meu quarto
as cortinas cerradas deixam entrar
alguns raios tímidos da aurora.
E de novo e de novo e mais uma vez
a rola pétrea e macia de Marcelo
penetra minha boca e cu frouxo
sobre lençóis úmidos de suor e gala
em infinitas felações e sodomias.
O passado intato como nasceu.

Autor: Paulo Azevedo Chaves - Fonte: POEMAS HOMOERÓTICOS ESCOLHIDOS - INTERPOÉTICA



Três pequenos poemas
Destino

ele ia fuder
com
a própria
vida

mas mas mas mas mas

foi pra sauna
arrumou
trabalho
casa
comida

voltou
sarado-ado-ado-ado

&
com
gato
malhado


Volta por cima 1

preterido
o namorado
ia dar um tiro no ouvido
mas
descolou outro
namorado
&
continuou
gato
feliz
&
invertido.


Volta por cima 2

deu
volta por cima
por baixo
de lado
atrás
entre

deu
até
parar
de
querer
dar
e
ter
vontade
de
recomeçar.

Autor: Amador Ribeiro Neto - Fonte: PORTUGAL GAY



Se o homem pudesse dizer o que ele ama
Se o homem pudesse dizer o que ele ama,
Se um homem pode levantar o seu amor pelo céu
como uma nuvem na luz;
sim como fossem muros que se derrubam,
para saudar a verdade erguida no meio,
Eu poderia derrubar seu corpo,
deixando apenas a verdade do seu amor,
a sua verdade,
que não é chamada de glória, fortuna ou ambição,
senão amor ou desejo,
Eu seria aquele que você imaginava;
Aquele que com sua língua, seus olhos e suas mãos
proclama diante dos homens a verdade ignorada,
a verdade do seu amor verdadeiro.

Liberdade não conheço senão a liberdade de estar preso em alguém
cujo nome eu não posso ouvir sem calafrio;
alguém por quem eu me esqueço desta existência mesquinha
por quem o dia e a noite são para mim o que você quiser,
e meu corpo e meu espírito flutuam em seu corpo e espírito
como troncos ao léu que o mar submerge ou levanta
livremente, com a liberdade do amor,
a única liberdade que me exalta,
a única liberdade por que morro.

Você justifica a minha existência:
se não te conheço, eu não vivi;
se morro sem conhecer você, não morro, porque eu não vivi.

Tradução livre e não-autorizada
Autor: Luis Cernuda - Fonte: POEMAS DEL ALMA